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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Cara a cara com Evandro Wirganovicz dois anos depois da morte do menino Bernardo



ENTREVISTA EXCLUSIVA DO RÉU EVANDRO WIRGANOVICZ PARA O JORNAL O ALTO URUGUAI, DENTRO DO PRESÍDIO ESTADUAL DE TRÊS PASSOS/RS 





Desde que foi preso em maio de 2014, acusado de cumplicidade na morte do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos de idade, o réu Evandro Wirganovicz relata pela primeira vez à imprensa como é sua vida dentro do Presídio Estadual em Três Passos/RS.

Passava das 8:30 hs. da segunda feira, 11/07/2016, quando Evandro, trajando calça jeans e moleton vermelho e calçando sapatênis, cruzou uma das alas do presídio e chegou até a recepção para ser entrevistado pelo Jornalista Fábio Pelinson, do Jornal O Alto Uruguai.

Todo o tempo que durou a entrevista, ele negou que tenha tido envolvimento na morte de Bernardo, mas em nenhum momento ele fala o nome do garoto, referindo-se apenas como o "inocente".
Ele parece mais preocupado em chorar e se defender (não sem razão), reiterando o fato de não ter feito nada e que está pagando por algo que não fez.

Evandro Wirganovicz:
- "Desde o começo eu disse que não fiz. Eu sempre fui um homem sossegado, sem maldade e agora as pessoas me chamam de assassino.

Se alguém acha que sou culpado que tire da cabeça. É uma injustiça o que estão fazendo comigo e um dia eu vou provar que eu não sou um assassino. De noite eu coloco a cabeça no travesseiro e durmo, minha consciência não pesa.

Se eu tivesse feito o buraco, eu ia falar, eu não ia enganar a Justiça. Eles tem que levar ela (Edelvânia) fazer de novo, se eles acham que uma mulher não faz o buraco e me mandar pescar de novo se acham que naquele dia não tinha peixe."


Acusação contra Evandro Wirganovicz


Segundo a denúncia do Ministério Público, aceita pela Justiça, Evandro “concorreu para a prática do crime ao fazer a cova vertical destinada à deposição do corpo do menino, além de limpar o entorno do local, tudo dois dias antes, para facilitar a ação criminosa dos demais acusados” (...) “auxiliando material e moralmente, na medida em que, no dia 2 de abril de 2014, entre as 18h30min e 21 horas, abriu a cova, sabendo que lá seria enterrado o corpo da vítima”. 

Assim, Evandro responde por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. A defesa de Evandro recorreu da decisão, “alegando a inexistência nos autos de indícios de autoria ou participação do acusado nos fatos imputados na denúncia”, solicitando que ele não fosse a Júri Popular. Porém, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul indeferiu o pedido, confirmando que os quatro réus vão a Júri Popular, onde os jurados decidirão se são culpados ou inocentes.

Thiago Henrique.


Disponível em:


OBSERVAÇÃO: o senhor Evandro Wirganovicz alega que não teve nenhum envolvimento no caso do assassinato de Bernardo, não abriu buraco nenhum e apesar de chorar durante toda a entrevista, ele revela que à noite não tem nenhuma dificuldade em conciliar o sono, pois sua consciência está tranquila.

Se ele é inocente, então ele foi muito incauto e sem sorte ao transmitir para a Justiça tantas falsas provas que o incriminaram. Será que agora teremos que pedir Justiça também para ele?

JUSTIÇA PARA ODILAINE E BERNARDO UGLIONE BOLDRINI!

sábado, 30 de maio de 2015

O depoimento de Evandro Wirganovicz



EVANDRO WIRGANOVICZ CHORA E DIZ QUE É INOCENTE

Evandro Wirganovicz / Foto: Felipe Truda / G1

Em seu depoimento de 50 minutos prestado à Justiça em 27/05/2015, Evandro Wirganoviz nega envolvimento na morte do menino Bernardo Uglione Boldrini. Ele é acusado de participação no crime, moral e materialmente ( por ter aberto o buraco onde o menino foi enterrado).

Veja trechos do interrogatório de Evandro Wirganovicz:

Sobre o dia em que o acusado abriu o buraco onde o menino foi enterrado:
-"Fui pescar. Peguei oito peixes: três trairinhas para o lado de baixo e acho que uns cinco jundiás para o lado de cima naquele pesqueiro."

Juiz:
- “Vamos falar sobre esse local para a gente entender melhor então. A tua mãe mora perto desse local onde a vítima foi enterrada”?

Interrogando:
- “Mora perto”.

Juiz:
- “Que distância é a casa da tua mãe para esse lugar”?

Interrogando:
- “Um quilômetro e pouco eu acho".

Juiz:
- “Um quilômetro e pouco"?

Interrogando:
- “Por aí".

Juiz:
- “Tem um caminho apenas para ir até lá, ou tem mais de um caminho"?

Interrogando:
- “Para ir até o rio tem esse caminho só que atravessa".

Juiz:
- “Eu digo da casa da sua mãe para ir até esse local onde foi feito a cova, tem mais de um caminho ou tem um caminho apenas”?

Interrogando:
- “Uma estrada que atravessa o rio Excelência, que cruza da banda de Cristal para”...

Juiz:
- “Tem apenas uma estrada”?

Interrogando:
- “ É”.

Juiz:
 - “E ali a distância da casa da sua mãe para esse local é de quanto”?

Interrogando:
- “Um quilômetro e pouco eu acho”.

Juiz:
- “E foi esse o trajeto que o senhor fez naquele dia”?

Interrogando:
- “Naquele dia”.

Juiz:
- “Foi nesse dia mesmo que eu falei, no dia dois”?

Interrogando:
- “No dia dois, na quarta-feira”.

Juiz:
- “O senhor sabe onde foi feito essa cova? Hoje assim, o senhor sabe”?

Interrogando:
- “Não sei, eu só ouvi falar que foi do outro lado do rio Excelência”.

Ministério Público:
- “O senhor pegou peixes”?

Interrogando:
- “Peguei, eu peguei três trairinhas para o lado de baixo e acho que uns cinco jundiás para o lado de cima naquele pesqueiro”.

Ministério Público:
- “Então ao total...”?

Interrogando:
- “Uns oito peixes”.

Ministério Público:
- “O senhor colocou, acondicionou aonde esses peixes”?

Interrogando:
- “Eu botei numa sacolinha e levei para a casa da minha mãe quando fui”.

Ministério Público:
- “Quando o senhor chegou na casa da sua mãe as pessoas que estavam lá viram o senhor chegando”?

Interrogando:
- “A minha esposa já estava dormindo com as crianças, a minha mãe viu”.

Ministério Público:
- “A tua mãe estava ali”?

Interrogando:
- “Estava acordada”.

Ministério Público:
- “E ela viu”?

Interrogando:
- “Viu os peixes”.

Ministério Público:
- “Viu o senhor chegando com os peixes”?

Interrogando:
- “Viu eu chegando com os peixes”.”

Ministério Público:
- “E o que o senhor fez com esses peixes”?

Interrogando:
- “A minha mãe limpou, no outro dia ela limpou os peixes”.

Ministério Público:
- “Mas naquele momento que o senhor chegou em casa com os peixes o que o senhor fez”?

Interrogando:
- “Eu botei dentro da pia e botei água em cima.”

Ministério Público:
- “E daí ficou lá...?”

Interrogando:
- “E daí no outro dia a minha mãe limpou.”

Ministério Público:
- “Até o outro dia”?

Interrogando:
- “No outro dia de manhã”.

Ministério Público:
- “Quando a sua mulher acordou ela viu os peixes na pia”?

Interrogando:
- “Ela viu, no outro dia ela viu os peixes”.


Sobre o local em que Bernardo foi enterrado:
- "Na beira do rio, é terra macia".

Sobre sua participação no crime:
- "Eu não fiz nada. Quem fez tem de pagar. Se ela (Edelvânia) fez, tem que assumir o que fez. Capaz que eu ia fazer isso, com dois inocentes que tenho dentro de casa. Eu quero que Deus tira a vida deles se eu estiver mentindo. Eu não fiz nada."

Sobre a participação de Edelvânia na abertura do buraco:
Evandro acredita que Edelvânia possa ter cavado o buraco, apesar de ela nunca ter confirmado isso para ele. Mas garante que como ela foi criada em fazenda, tem conhecimento sobre o tipo de ferramenta adequada para abrir a "terra macia" do local à beira do rio.

Sobre sua inocência:
- "Eu boto minha cabeça no travesseiro de noite e durmo. Minha consciência está tranquila. Não sou assassino. Se eu ficar na cadeia, vou estar pagando por uma coisa que eu não fiz".

Ao Juiz, na saída da audiência e chorando muito:
- "Deus vai tocar no seu coração e o senhor vai ver que estou falando a verdade."

Evandro Wirganovicz foi o único réu que não portava o colete à prova de balas.

Agora, as contradições do senhor Evandro Wirganovicz:

1º - "Pesquei duas trairas...e três ou quatro jundiás...peixe pequeno." Disse Evandro no teste do polígrafo em 21/05/2014. 

2º - O militar aposentado Valdecir Johan, descreveu o local como de terra muito dura e com muitas raízes. Por isso desconfiou que Evandro pode ter ajudado as duas mulheres  pois seu carro estava há 50 metros do buraco, dois dias antes da morte de Bernardo.

3º - A testemunha, o senhor Valdecir Johan afirma que Evandro Wirganovicz sabia das condições inadequadas para peixe naquele dia 02/04/2014, pois o rio estava muito baixo. Ele estranhou o fato de Evandro estar ali de carro, sendo a casa de sua mãe tão perto.

4º - É costume as pessoas pescarem no Rio Lajeado, entretanto, a testemunha afirma que Evandro costumava pescar com os irmãos, mas sempre iam a pé.

5º - Leandro Assis Brondani, da loja de ferragens, conta:
- "Naquele dia, não sei dizer bem quando, Edelvânia perguntou como se fazia para abrir um buraco e o que ela precisaria. Eu respondi e disse o que ela precisaria, as ferramentas. Aí perguntei o motivo do buraco. Ela me disse que seria próximo à casa de sua mãe."

6º - A mulher de Evandro desconfiou da pescaria. Lembra que ao confrontar o marido, logo após a prisão de Edelvânia, Evandro começou a chorar, mas não disse nada. Ela não lembrava se ele havia chegado com peixe ou se estava sujo de terra.

7º - Conforme testemunhas, na época do desaparecimento de Bernardo, Evandro Wirganovicz começou a quitar dívidas no comércio local.

8º - No depoimento à Justiça, Evandro disse que levou o pescado para a mãe limpar. Já Luciane Saldanha, sua companheira, na segunda versão dada em 18/09/2014, informa que foi o próprio Evandro quem limpou os peixes:
Luciane Saldanha:
- "Ele limpou os peixes no outro dia. Tinha aqueles com barbinha grande e uns pequeninhos."

9º - Evandro disse que foi pescar de carro: não tinha como andar a pé, porque o local é cheio de pedregulhos e o nível do rio naquele dia estava baixo, deu para passar com o veículo (corroborando as informações do senhor Valdecir Johan).

10º - Na antevéspera do crime, 02/04/2014, ele foi pescar, mas "do outro lado" do rio.
(Grifo meu: QUE OUTRO LADO DO RIO? De que lado do rio Bernardo foi enterrado? Lado direito ou lado esquerdo? Existe acesso fácil dos dois lados? Como Evandro Wirganovicz sabia de que lado estava a cova do menino? Não me lembro da imprensa, divulgando o mapa do local, a não ser que era um lugar afastado, de denso matagal e à beira de um rio  em Frederico Westphalen).

11º - Atitude diversionista de Evandro: ele ressaltou que não circulava na região onde o corpo de Bernardo foi encontrado em 14/04/2014, havia dois meses. Voltou atrás somente quando testemunhas disseram ter visto seu carro nas imediações. Depois ele alegou que escondeu a verdade por medo, mas quem não deve não teme.

No teste do polígrafo a que Evandro Wirganovicz se submeteu em 21/05/2014, em pelo menos três quesitos, o aparelho detectou estresse, desconforto e possibilidade de mentira:

1º - Sobre o planejamento da morte do menino Bernardo.

2º - Quem seriam, efetivamente, os responsáveis pela abertura do buraco.

3º -  Se Evandro sabia antes de 04/04/2014, que Bernardo seria morto.

OBSERVAÇÃO:  Na minha modesta opinião, se antes já não restava dúvida, agora é concreta a participação do senhor Evandro Wirganovicz no hediondo feito. Ele foi denunciado pelo Ministério Público sob acusação de homicídio triplamente qualificado, juntamente com a irmã Edelvânia Wirganovicz.

Foto de Felipe Schroeder Franke / Terra.

"É uma terra dura, com muitas raízes de árvore. É muito difícil de cavar" - disse um policial militar aposentado que denunciou  a presença do carro de Evandro Wirganovicz, 50 metros onde o menino Bernardo foi enterrado. Edelvânia não daria conta de cavar, ainda mais sozinha.

Evandro Wirganovicz: " Perto do rio, a terra é macia." (Tentando se livrar do feito hediondo.)

P.S.:  A terra perto do rio é macia? Sério? Como você sabe, sr. Evandro Wirganovicz?

Disponível em: <zh.clicrbs.com.br>.Veja o que cada réu falou durante audiência. Acesso em 30/05/2015.
Disponível em:<zh.clicrbs.com.br>. 2014. Detector aponta que Evandro Wirganovicz pode ter mentido. Acesso em 30/05/2015.
Disponível em:<tjrs.jus.br/site/imprensa>. Evandro Wirganovicz encerra interrogatório. Acesso em 29/05/2015.


JUSTIÇA PARA ODILAINE E BERNARDO UGLIONE BOLDRINI!





quarta-feira, 27 de maio de 2015

O interrogatório de Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz




INTERROGADOS: GRACIELE UGULINI E OS IRMÃOS EDELVÂNIA E EVANDRO WIRGANOVICZ


Graciele na entrada do Fórum /Vídeo de Rodrigo Oliveira incorporado do YouTube

GRACIELE UGULINI

Graciele Ugulini / Foto: Ricardo Duarte / Agência RBS

A madrasta Graciele Ugulini foi a segunda dos réus a ser interrogada. Ela pediu um copo de água sentada em frente do Juiz. Como o seu advogado já havia adiantado, quando o Juiz perguntou se ela queria ficar em silêncio, ela disse que sim. Não respondeu nem mesmo as perguntas de cunho pessoal.

Assinou um documento e  foi dispensada  de ouvir os outros depoimentos.


EDELVÂNIA WIRGANOVICZ

Edelvânia Wirganovicz / Foto de Ricardo Duarte / Agência RBS

Na terceira posição foi a vez de Edelvânia Wirganovicz prestar seu depoimento. Confirmou também que preferia se manter calada, mas que falaria no dia do julgamento:
- "Vim forçada. Me obrigaram. Estou fazendo tratamento, não estou bem. Vou falar no dia do julgamento."

A defesa de Edelvânia apresentou um requerimento solicitando a interceptação de um site que estaria veiculando informações importantes sobre o processo.
Com o pedido indeferido, o advogado Demetryus Grapiglia pediu a suspeição do Juiz:
- "O senhor está cerceando o direito da defesa de ter acesso a esses autos." - Declarou o advogado.

Ao que o Juiz replicou:
- "A análise das alegações da defesa deixa evidente que as causas alegadas não encontram correspondência ao estabelecido nos dispositivos legais. Se assim fosse, restaria inviabilizada a tramitação dos processos penais. Além disso, eventual irresignação da defesa com os direitos do Juiz, podem ser atacados através de Habeas Corpus ou pelos recursos ordinários, não tendo sentido a presente arguição de suspeição." - Afirmou o Juiz.

- "Parece que a defesa da Edelvânia quer somente tumultuar o andamento do presente feito. De qualquer forma consigno que inexiste o tratamento diferenciado entre as partes, com privilégio ao MP, em detrimento da Defesa." - Concluiu o Juiz Marcos Luís Agostini. Fonte:TJRS

Ao pedido de suspeição do Juiz, o advogado Demetryus Grapiglia acrescentou uma reclamação de falta de privacidade para conversar com sua cliente Edelvânia, vigiada constantemente pela SUSEPE.


EVANDRO WIRGANOVICZ

Evandro Wirganovicz / Foto de Felipe Truda /G1

Evandro Wirganovicz foi o 4º acusado a depor. Ele responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, juntamente com os outros três réus. Ele contesta a acusação:
- "Sou mais uma vítima desta história. Minha irmã é que fez o buraco, ela disse. Estava de férias na casa da minha mãe e alguém disse que viu meu carro lá." - Explicou referindo-se ao local onde o corpo do menino Bernardo foi encontrado, cerca de um quilômetro de distância da casa de sua mãe, em Frederico Westphalen.

Indagado a respeito dos filhos, ele disse que os vê uma vez por mês e continuou:
- "Eu não fiz nada. Quem fez tem que pagar. Estão fazendo uma injustiça comigo. Não estou defendendo nem minha irmã nem ninguém. Só estou dizendo que não fiz nada."

Somente  Evandro Wirganovicz não usou colete à prova de balas. Ele deixou a sala da audiência aos prantos.

Disponível em:<g1.globo.com>. Madrasta e amiga se calam em audiência / Acusado da morte de Bernardo chora. Acessos em 27/05/2015. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Negada a liberdade para Evandro Wirganovicz


JUSTICA NEGA A EVANDRO WIRGANOVICZ: LIBERDADE E CISÃO DE PROCESSO.


Evandro Wirganovicz / Foto G1 

Em 15/04/2015, o Juiz de Direito Marcos Luís Agostini, da 1ª Vara Judicial da Comarca de Três Passos, opôs-se ao pedido de liberdade de Evandro Wirganovicz, o 4º acusado da morte de Bernardo Uglione Boldrini, ocorrida em 04/04/2014. Evandro é acusado de ter cavado o buraco onde enterraram Bernardo. A defesa do réu argumentou excesso de prazo no encerramento da fase de instrução e também requereu o desmembramento do processo n° 2140000704-8 (Comarca de Três Passos/RS).

As duas petições foram negadas pelo Juiz Marcos Luís Agostini:

- "Não vislumbro alteração do panorama identificado no momento em que proferida a mencionada decisão, a qual deve ser mantida." - Afirmou o Juiz.

O magistrado citou inclusive, decisões precedentes das Câmaras do TJRS, que tiveram como resultado a manutenção das prisões de todos os acusados, com o objetivo de garantir a ordem pública, bem como para conveniência da instrução processual:

- "Com efeito, deve ser considerado para afastar a alegação de excesso de prazo, a complexidade da ação penal, o número de acusados, a quantidade significativa de testemunhas arroladas e inquiridas, o grande volume de documentos acostados (33 volumes) e, também, as diversas postulações das defesas." - declarou o Juiz.

O Meritíssimo ressaltou que a alegação da defesa não procede, referindo-se à demora nas diligências e perícias para finalizar a instrução:

- "Para realização dos interrogatórios dos réus e encerramento da instruções restam somente duas pendências, ambas postuladas pela defesa, quais sejam, os esclarecimentos a serem prestados pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) em relação à perícia grafotécnica realizada e a inquirição da última testemunha dentre as inúmeras arroladas, que está com audiência aprazada para o próximo dia 11/05/2015, na Comarca de Boa Vista, Roraima.

Disponível em:<http://www.tjrs.jus.br/casobernardo>. Acesso em 16/04/2015.

OBSERVAÇÃO: Não tenho dúvida nenhuma, que o sr. Evandro Wirganovicz está atolado até o pescoço nessa lama. Vou ficar deveras surpreso, se ele conseguir se safar dessa: afinal, trata-se da morte de forma covarde e desnecessária, perpetrada por quatro adultos a uma criança de apenas onze anos de idade. A ganância impede a visão, planta-se às cegas e o produto final é a colheita de frutos amargos... e nada desejáveis.

PARA LEMBRAR: Graciele Ugulini, por volta de 12:30 hs de 04/04/2014, ligou para Edelvânia Wirganovicz, avisando que seguia rumo Frederico Westphalen acompanhada de Bernardo. Edelvânia em depoimento à Polícia em 14/04/2014, confirma:
 - "Fomos lá naquele dia, fazer o buraco, mas com a enxada não dava. Aí, fomos comprar as coisas. A pá, a cavadeira. E a enxada foi jogada fora. Foi jogada no mato". Ela (Graciele) se lavou na minha casa. As mãos e os pés. Eu fiquei em casa. Depois desci para pegar minha sobrinha e fomos dar uma volta. Peguei um sorvete e um picolé e fomos dormir".
Disponível em <g1.globo.com/rs/ré-caso-bernardo>. Acesso em 16/04/2015.

PS: Que dia mais triste! Como Edelvânia conseguiu dormir depois de um ato desse? Observe que ela diz que Graciele se lavou, mas ela não diz ter se lavado também, após ter cavado o buraco, nem mesmo as mãos. Ela jogou a enxada no mato: por quê, se as outras ferramentas ela levou para a casa da mãe? Será que ela indicou à Polícia onde jogou a enxada? E onde estavam a pá e a cavadeira que ela alegou estar no carro, mas o vídeo não mostrou? Tinha certamente outra pessoa envolvida na história e essa pessoa é seguramente Evandro Wirganovicz. Da hora que as duas mulheres saem com Bernardo e depois retornam sem ele, decorre exatamente 1 hora e 33 minutos: é muito pouco tempo para o que ela alega ter feito (deslocamentos, compras, procedimento criminoso, abertura e fechamento da cova). Sabe o que é cavar um buraco no início de abril? Você fica inteiramente sujo e coberto de suor. Edelvânia  só trocou de roupa depois que Graciele se lavou e foi embora. 

Outro detalhe: Leandro Assis Brondani diz em depoimento que Edelvânia e Graciele compareceram à sua loja entre 1 e 4 de abril de 2014, perguntando como fariam para abrir um buraco. Ele explicou que era com uma pá e uma cavadeira, mas como ele não possuía esse tipo de ferramente, recomendou outras duas lojas. Perguntada sobre o motivo da abertura do buraco, Edelvânia apenas respondeu que era em local próximo à casa de sua mãe.

Por sua vez, Hermes Vendrusculo Scapin, sócia da loja de ferragens, onde Edelvânia comprou as ferramentas, revelou que ela não quis o registro das compras:

- "Não sei quem era a outra pessoa, mas quem comprou foi a Edelvânia. Ela só pediu uma pá e uma cavadeira. Essa outra pessoa não entrou, ficou na porta." - Disse Scapin. 

A certeza é que Edelvânia não comprou as ferramentas no mesmo dia da morte de Bernardo, o que se deduz apenas é que ela estava acompanhada de Graciele Ugulini, nos preparativos anteriores para a empreitada criminosa. Conforme a Delegada Caroline Bamberg ela apresentava calosidades na mão. Fica a indagação: por quê calosidades? A mãos de uma "assistente social", não estaria jamais com calos e sim com bolhas arrebentadas e pele arrancada. Calos ou calosidades nas mãos decorre de trabalho repetitivo e por um longo período de tempo. Em "Graciele Ugulini - A Farsa", no vídeo gravado pela Polícia, Edelvânia diz que Graciele lhe entregou dinheiro na quarta-feira, 02/04/2014 e na quinta-feira de manhã, 03/04/2014,  ela abriu a cova. No seu depoimento, Edelvânia tem uma dificuldade enorme para falar da cavadeira e da pá, como se temesse ser pega em contradição e aí a Delegada Cristiane chega a colocar palavras na sua boca. É...O sr. Evandro Wirganovicz tem muito o que explicar à Justiça.


sábado, 11 de abril de 2015

Caso Bernardo: manobras da defesa


AS MANOBRAS DA DEFESA QUE ATRASAM O JULGAMENTO DO CASO BERNARDO.


Bernardo Uglione / Arquivo Pessoal.

Disponível em: <veja.abril.com/noticia-um-ano-depois-manobras-atrasam>. Acesso em 11/04/2015.

O advogado de defesa de Evandro Wirganoviz, Hélio Francisco Sauer, reclamou da demora no julgamento dos quatro réus, acusados da morte de Bernardo Uglione Boldrini:

- "É testemunha para procrastinar, prolongar os prazos do feito" - desabafou o magistrado no site da Revista Veja. Segundo ele, Evandro nega autoria nos crimes e está preso injustamente.

- "O Evandro não teme o júri. Ele tem certeza que vai ser absolvido e quer enfrentar o processo. Os interesses dele são antagônicos aos dos demais réus, que vão recorrer com apelação ao TJ, recurso especial ao STJ, recurso extraordinário ao STF, agravo de instrumento, embargos declaratórios. Não é o caso dele. É óbvio que vai acontecer por parte dos outros três réus, artifícios, recursos e atos protelatórios para fazer a sociedade esquecer. E ele fica junto pagando o pato."

- "Para eles, quanto mais protelarem, melhor é. Já vão cumprindo (a pena) na preventiva e eles pensam que vão arrefecer os ânimos da sociedade. Mas nesse caso, não vai arrefecer nunca, como no caso dos Nardoni". - Finaliza Hélio Sauer.

Demetryus Grapligia, o defensor de Edelvânia Wirganovicz, tem a mesma esperança:

- "Por mais rápido que o processo tramite no Rio Grande do Sul, isso pode subir às instâncias superiores. É muito possível que esse ano não ocorra o julgamento do caso Bernardo." - Conta Demetryus Grapiglia ao site da Veja, acrescentando que pensa alegar insanidade mental para Edelvânia, planejando com essa argumentação, evitar a sua condenação, inclusive, solicitando uma perícia médica para a ré:

- "A Edelvânia não está bem de saúde mental, ela hoje é uma pessoa completamente abestalhada, fala frases desconexas, não reconhece as pessoas. Esse ano que ela passou na cadeia serviu para liquidar a cabeça dela e qualquer possibilidade de ela entender uma condenação. Dar ou não dar uma pena para ela é inócuo. Vamos alegar e inquirir a respeito da inimputabilidade da pena dela, que pode ser com relação àquela época."

- "Não sei se a Edelvânia era uma pessoa normal e tinha condições de entender e reagir de forma diferente à pressão que a Graciele fez para que ela enterrasse o menino. Ela (Graciele) não tinha limites." - concluiu  Grapiglia.  

O advogado de Edelvânia defende que ela ajudou apenas na ocultação do cadáver, não participou da execução de Bernardo. Os defensores de Leandro Boldrini e Graciele Ugulini disseram não querer se manifestar publicamente, fora dos autos.

OBSERVAÇÃO:  Já está ficando exaustivo e, portanto, ao menos desta vez, abstendo-me de determinados comentários, resumo-os na seguinte frase: Então tá, ne´!

Sobre inimputabilidade do réu: De acordo com parecer do advogado criminalista Luiz Guilherme Vieira, as medidas de imputabilidade de réu no Brasil deixam muito a desejar. Se ele for reconhecido pela Justiça como inimputável, vai permanecer por longos períodos em tratamento psiquiátrico, passando por exames constantes para avaliar a evolução da doença e não são poucas as vezes, que o preso passa a vida inteira encerrado em hospitais psiquiátricos, sem chance alguma de sair.
Disponível em: <www.conjur.com.br//definir-imputabilidade>. Acesso em 11/04/15.








sábado, 3 de janeiro de 2015

Veto à Imprensa II


DEFESA DOS IRMÃOS WIRGANOVICZ  TENTA IMPEDIR  IMPRENSA DO TJ/RS.
Disponível em zh.clicrbs.com.br. Acesso em 02/01/15.



De acordo om o desembargador Túlio de Oliveira Martins, presidente do Conselho de Comunicação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em seus seis anos de atividade na casa, nunca pedido tão incomum tinha sido apresentado: Demetryus Grapigilia , advogado de defesa de Edelvânia Wirganovicz entrou com um mandado de segurança contra a Presidência  do TJ/RS, solicitando o impedimento da imprensa do Órgão na cobertura dos atos processuais referentes ao caso Bernardo Uglione Boldrini, incluindo um futuro júri, apesar do processo não correr sob segredo de justiça.

Nesta segunda-feira, 05/01/15, às 14 hs, um Órgão Especial do Tribunal de Justiça irá julgar o mandado que pede ainda a retirada de todo conteúdo já publicado pelos canais de comunicação do TJ, sobre o caso.
- "Ele (advogado) quer uma instrução e um julgamento secreto. O direito brasileiro não admite isso, são apenas raríssimas situações, como o crime sexual contra uma criança. Fora isso, a regra é a publicidade. A culpa é dos assassinos, não dos jornalistas" - afirma o desembargador, que fará parte do Órgão Especial, mas irá se declarar impedido de julgar. 

As defesas dos outros réus, anteriormente, também tinham entrado com recursos onde a mesma prerrogativa era a obstrução da imprensa do TJ às audiências. Todos os requerimentos precedentes foram negados e o advogado Demetryus Grapiglia admite que com esta petição não será diferente, mas ele garante que recorrerá da decisão. Todos os depoimentos disponibilizados pelo TJ sobre o ocorreu com o menino Bernardo, são de acordo com o jurista "altamente prejudiciais à defesa".
- "Começamos a ouvir as testemunhas de acusação e a imprensa divulgou o que as testemunhas tinham falado. Isso vai quebrando a incomunicabilidade das testemunhas, por que a que vinha já sabia o que a outra tinha falado, até em termos técnicos . Isso prejudica todo o processo" - argumenta o jurista.

Art. 210 - CPP: as testemunhas serão inquiridas cada uma de per si, de modo que umas não saibam nem ouçam os depoimentos das outras, devendo o juiz adverti-las das penas cominadas do falso testemunho ( Redação pela Lei 11.690 de  2008 - art. 210), onde antes do início das audiências e durante a sua realização serão reservados espaços separados para a garantia da incomunicabilidade das testemunhas. Não existe uma determinação formal da Lei quanto à essa inacessibilidade e não configura erro grave o desvio inadvertido dessa conduta, muito embora  a coleta individualizada dos pareceres de cada testemunha possa contribuir para uma maior naturalidade e veracidade das informações prestadas. 

OBSERVAÇÃO: Crê-se: não ser as testemunhas, tão inconsequentes a ponto de se afiançarem em opiniões alheias, até mesmo pelo fato de se exporem às sanções penais cabíveis por perjúrio. Muitas declarações são colhidas no mesmo dia. Funciona por acaso, um equipamento fora da sala do juiz que transmite em tempo real esses relatos, possibilitando uma interação entre os depoentes? Não existe um complô para acabar com a vida dos acusados, eles próprios se encarregaram disso. 

O processo número 21400007048/TJ-RS é uma leitura dificílima de se fazer, especialmente pela alta carga emocional que carrega. Contudo, para uma melhor compreensão das pretensões do doutor Demetryus Grapiglia, tive a curiosidade de analisar alguns dados e as semelhanças às quais o advogado faz menção, a meu ver não procede. Muitos declarantes não possuem a mínima afinidade entre si sob qualquer aspecto. É muito difícil que o relato dos acontecimentos seja alterado, mesmo por que a avaliação a respeito dos acusados está perfeitamente definida na cabeça de cada  pessoa, expectadora cabal da triste trajetória de Bernardo Uglione Boldrini. 

Declaração Universal dos Direitos Humanos (art. 19): Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão: este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras. Claro que com as ressalvas, no termos da lei, onde cada um deve responder por abusos que eventualmente possam cometer (Lei 5.250 de 09/02/1967 - art 1º).  

Constituição Federal de 1988: 

Art. 5º,inciso IX: É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.

Art. 5º, inciso XIV: É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício da profissão.

art. 5º , inciso XIII: `É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações que a lei estabelece.

Art. 220, § 2º: Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade da informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, incisos IV, V, X, XIII e XIV.

RECURSO NEGADO

Com um pouco de atraso, repasso a informação sobre o mandado de segurança impetrado pelo advogado de defesa dos irmãos Wirganovicz, em que solicitava o impedimento da imprensa do TJ/RS, na veiculação de notícias sobre o caso do menino Bernardo Uglione Boldrini.
Em 15/12/14, como já previa o advogado, foi mantido o indeferimento do mesmo pedido, solicitado em setembro de 2014:
- "São de natureza pública, salvo quando a lei dispuser em sentido contrário ou houver decisão judicial fixando o segredo de justiça" - determina o desembargador Newton Brasil de Leão, mantido o entendimento a respeito dos atos processuais.

OBSERVAÇÃO: O advogado de Graciele Ugulini também havia tentado o mesmo recurso, obviamente  sem sucesso.